Magdalena sin fronteras. Testimonio de Daniele Santana, Cuba 2017



En enero de este año, 2017, conocí a Daniele en medio de la fiesta que fue el Encuentro Knots/Nudos/Nos, encuentro de teatro de grupo, en Mogi das Cruces, cerca de Suzano, Sao Paulo. Yo había ido con mi grupo Camino Teatro. Nos cruzamos recién los últimos días del Festival porque ella había estado este mismo enero en el Magdalena sin fronteras, Cuba. La vi en Curra-temperos sobre Medéia, junto al maravilloso grupo Contadores de mentira. Nos reconocimos. Nos sentimos unidas además por otra hermandad. 
Va foto de ese encuentro (y foto del transporte de los Contadores de mentira: el Frida Carro!) . LD

















The Magdalena Project: Uma afirmação de voz e de presença.


Daniele Santana 
Atriz e Gestora no grupo Contadores de Mentira – Suzano – Brasil

Em Cuba, em janeiro deste ano o tempo se inflou.  Durante 10 dias, mulheres de diversas partes do mundo se aventuraram no mergulho de pensar e viver Teatro juntas.  Não bastasse toda a energia que exala desse país, ainda encontrar a força dessas mulheres é como se abastecer de uma potência física e subjetiva.
A 5º edição do “Magdalenas sin fronteras” teve o tema: vidas, grupo, teatro, realidade. Foi realizada em Santa Clara, idealizada e dirigida por Roxana Pineda, uma mulher que inspira com sua coragem convicção.
Essa rede é mais que um encontro de formação e aprimoramento artístico/filosófico/técnico, é um terreno de afeto e nutrição. A cada palavra trocada, a cada dia de espetáculo ou de aula o que se via era uma busca por um teatro cada vez mais humano, sensível às transformações que o mundo e as pessoas têm vivido.
É inevitável, ao adentrar nesta imersão, a vontade de atirar-se, o desejo de pular para um novo lugar, de percorrer por outras estradas, de encontrar consigo mesma num lugar tão íntimo quanto desconhecido.
Ouvir mulheres de realidades tão distintas, de caminhos tão variados e ao mesmo tempo se sentir tão familiar carrega um misto de espanto e deleite, como se há tempos nos guiássemos de modo intuitivo para um mesmo lugar, ou por um mesmo objetivo. Objetivo este que nem sempre é claro ou definitivo, que é passível de dúvidas e de transformações, mas que se mantém firme em sua essência.
Esta foi a primeira vez que estive no Magdalenas, mas indiretamente estou ligada à rede há alguns anos e se pensar em um carácter efêmero penso que sempre estive. Me pergunto em que plano de fato os sentimentos que envolvem essa rede me encontrou. Quando penso nas lutas que nós mulheres travamos ao longo do nosso ofício e também da nossa existência começo a crer que essa ligação deve mesmo ser ancestral.
Em muitas partes do mundo mulheres têm se unido para discutir direitos sociais e históricos, direito básicos como o de escolher sua profissão, sua sexualidade, seu caminho. Batalhando por direitos óbvios como o direito a seu próprio corpo, a dizer o que pensa e ser respeitada. Acredito que redes e encontros como esses nos encorajam e embasam a falarmos em primeira pessoa, a nos colocarmos no centro da discussão como coletivo e como indivíduo. A termos em nossas mãos o controle sobre nossas escolhas e decisões. Por anos nossas vozes têm sido sequestradas por uma sociedade patriarcal, há séculos somos assediadas em todos os níveis, e o teatro não está à margem deste absurdo.
Esses dias de experiência em Cuba e no Magdalenas foram para mim, e credito que para todas as participantes, um respiro... E ao mesmo tempo uma ebulição. Todos os dias éramos convidadas a pensar em teatro, em grupo, em vida, em sociedade e em si. A refletir sobre o equilíbrio entre a força e a fragilidade, sobre o ofício e sobre os rastros que temos deixado.
Patricia Ariza disse num dos dias que o “projeto Magdalena” é para as mulheres como ter um “quarto próprio”. Essa reflexão foi lançada e a tomei quase como um conselho, apenas tenho pensado noutro ambiente: um jardim; me atrai mais a ideia de um lugar sem paredes.
Concordo com a ideia de que é preciso haver “jardins próprios” dentro de um grupo. Para cada integrante, penso. De maneira que esses espaços não sejam locais de isolamento ou de fuga, mas de plantações pessoais, um solo de estudos, investigações e colheitas particulares. E seguramente seus frutos serão compartidos com todos.
Entender esse “jardim próprio” dentro do grupo pode ser confuso, já que não se trata da banalidade de egoísmos ou vaidades. Há de se refletir sobre sua importância como uma fresta de organização e fortalecimento do “eu” em paralelo ao “todo”. Há grupos de teatro porque há a percepção de que juntos somos mais fortes, de que é um espaço onde pessoas diferentes se unem em busca de percorrer ou traçar novos caminhos, entendendo que juntos podemos ir mais adiante.
O “Magdalena Project” em sua base é um encontro afetuoso em sua essência, político em sua existência e inspirador em seu conceito. Um encontro com tantas mulheres, de tantas partes do mundo, que trazem consigo uma enorme força e história. Mulheres que são em seus territórios polos de resistência, que têm em seus corpos as marcas de uma vida dedicada a este ofício, e que com valentia contestam o mundo opressor em que vivemos.
Poder viver momentos como esses é mais que uma experiência teatral, é uma oportunidade de assumir em si esta chama de coragem, de assumir a responsabilidade de seguir em frente, de não se deixar sequestrar pela vaidade ou pela inércia. De preservar seu jardim...
 É um sopro coletivo carregado de coragem de traçar um caminho próprio... Um salto para a descoberta do que vem depois... Uma afirmação de voz e de presença.



Encuentros


Cuando era chica jugaba con mis amigas a lo que llamábamos Jugar a encontrarnos. María, Vivi, Ale y yo. Era delicioso. Duraba todo el día. Abarcaba las dos casas que se comunicaban por polvorientos galpones traseros. Marlos, gatos salvajes, árboles frutales, cuadra de panadería de mi abuelo, taller metalúrgico de un padre, pajareras de otro padre.
Con otras mujeres, las Magdalenas, ahora jugamos un juego parecido. Nuestros Encuentros son  más esporádicos pero también más largos y anchos. Igual de delicioso.


El que estamos tramando para este noviembre durará diez días, abarcará dos localidades, y convocará artistxs de muchas partes del mundo.


En este encuentro que soñamos y realizaremos en noviembre jugaremos, buscaremos, cada una de nosotras encontrará otrxs en la misma búsqueda. Y tal vez se develarán algunos escondites...





Jugar a encontrarse
Cuando éramos chicas, con mi hermana menor y dos amigas (una de ellas, Vivi) jugábamos a “encontrarse”. Así se llamaba el juego, que consistía básicamente en nuestra propia versión de las escondidas. Estábamos muy orgullosas de haberlo inventado, de haber cambiado las reglas del tradicional. Al igual que en aquel juego, alguien contaba y las demás se escondían. Pero a diferencia de él, las que se escondían no podían permanecer en el mismo lugar. Y las que buscaban podían (valía) distraerse en el camino (por ejemplo, dejar de buscar y ponerse a cortar hinojo de la cuneta para darle de comer a los conejos). El juego podía durar horas, el día entero, siempre Vivi con Andrea, mi hermana menor. Y yo con Mimi, la hermana melliza de Vivi.
Esto ocurría en Manuel Ocampo, nuestro pueblo de casi 3000 habitantes, cerca de Pergamino, allá por la década del 70.
Tan trascendental fue ese juego que hasta hace poco duró el secreto de los lugares secretos que cada dupla tenía. Nos divertíamos mucho y poco importaba perder o ganar. Perder singnificaba que ellas nos encontraran rápido y tener que contar y pasar nosotras a buscarlas a ellas. Y ganar significaba que no nos encontraran en horas, y en el interín, nos encontráramos nosotras mismas.
Nuestro lugar secreto –el de Mimi y mío- era la cuadra de la panadería que había en el corralón de nuestra casa: Mimi y yo trepábamos a lo alto de una pila de bolsas de harina que llegaba casi hasta el techo: allí, blancas de harina, nos contábamos cosas y si sucedía que abajo pasaran ellas, nos mordíamos de risa porque no sospechaban en absoluto dónde estábamos ni que las estábamos espiando… Un día se detuvieron justo allí abajo. Se sentaron: comentaron con bronca lo difícil que era ese día encontrarnos, comieron unas galletitas y se contaron cosas… Con Mimi no se nos movía ni una pestaña, no queríamos perdernos nada (y el palpitar de nuestro corazón casi no nos dejaba oir).

Los caminos de las cuatro amigas siguieron sus cauces. Y nos gusta decir que seguimos siempre jugando a encontrarnos.


Todo para recordar que en noviembre de 2011 hemos vuelto a jugar a "encontrarse" con muchas más, hermanas y amigas. Pero esta vez fue en Dolores, otro pueblo. 

Y todo para anunciar que en noviembre de este año, 2017, volveremos a jugar

Buscar. Buscar y distraerse en el camino. Encontrar en el distraerse. Contarse cosas. Hacer cosas. Esconderse. Cambiar de lugar. Esconderse para encontrarse. Espiar a las otras (ser espectadora). Encontrar-encontrarse.

Me parece que nuestro juego de infancia comparte todas estas acciones con un Encuentro Magdalena. Quienes más quienes menos ejecutamos algunas o todas estas acciones con el objetivo principal de encontrarnos: 

Buscar
a quienes trabajan en condiciones parecidas y necesitan el aliento y la confianza y reafirmación de la fe en el oficio

Esconderse

Distraerse
A veces hay que ir para otro lado para encontrar

Cambiar de lugar
Tomamos seminario, damos seminario, somos espectadoras, protagonistas, servimos las mesas, nos encargamos del silencio, lavamos los baños, hacemos una torta, dirigimos, barremos el escenario
Y no tener nada por seguro, por dogma, más que el placer de trabajar.

Contarse cosas
Crear redes, conocernos, saber que a vos te pasó lo mismo que a mí. O parecido. O nada que ver.

Espiar

Encontrar
Belleza. Dedicación. Exigencia. Amor al oficio. Tolerancia. Paciencia. Tanto trabajo. Sabiduría. Qué hacer con los sueños.

Encontrarse

LAS QUE CANTAN

Vengo a decir que en los rincones
más difíciles del planeta
están cantando las mujeres
con voz de pueblo escarmentado.
Se supone que vociferan
para morir un poco menos.

Sólo el dolor, la fiebre, el odio,
el desafío y la desgracia,
sólo una voz inofensiva
cantan las mujeres que cantan.

Fadistas de Portugal,
enlutadísimas de España
inclinadas segando siegan
espirales de rabia y queja,
liquidan su ración de sueño
con furiosa maternidad.

Coyas, princesas miserables
de una América de arpillera,
queman ancestro alcoholizado
en lamentos como cuchilladas.
Hay que dejarse herir, caer
en su dolor, amar su llanto
y comprobar cómo la tierra
busca sus desolados huesos.

Brujas pálidas de Oriente,
lustradas hechiceras de Africa,
custodias de padecimientos,
celebrantes de la miseria
que lamentan inútilmente
fatalidades ordenadas
por dioses vanos y hombres crueles.

Les asignaron sed atávica,
desesperada obligación,
y ellas amenazan morir
en repertorios de quejido,
de belleza perdonadora.

Sólo vengo a decir que cantan
y que el mundo no se arrepiente
de sus gargantas infernales,
de sus corazones prohibidos.

Sólo vengo a decir que acaso
nos están echando la culpa.

María Elena Walsh








Diario de cuarentena. Collage.

Diario de escritura colectiva. Collage de palabras de muchas mujeres, de diferentes oficios, de diferentes lugares, todas atravesadas por...